Mc homo-feliz

Chegou no meu reader essa semana a seguinte atualização “Propaganda do McDonald’s causa polêmica na França”. Acontece que, mesmo assistindo o vídeo diversas vezes, eu não consegui enxergar tal polêmica e muito menos achar a iniciativa nobre ou digna de algum elogio. Alguns blogs de comunicação e entretenimento postaram a propaganda com captions enaltecendo, aplaudindo a multinacional pelo arrojo, ousadia e até “elegância” do discurso “a favor” dos homossexuais.

Uma coisa que me incomoda bastante em qualquer tipo de análise é o exagero. Analisar demais, na minha opinião, acaba soando como picuinha, simples implicância. Mas, em contrapartida, aceitar tudo com uma passividade quase bovina, e ainda achar nobre, é uma postura tanto equivocada quanto triste.

O McDonand’s em sua tentativa de fazer uma propaganda inclusiva, acaba incidindo em um erro primário, bastante recorrente nesse tipo de iniciativa. A propaganda é muito simples, basicamente igual todas as outras da franquia. Mostra a loja, com vários clientes felizes, rolando um indie-folk de fundo, pai e filho estabelecem um diálogo (ou seria um monólogo?) bastante sexista.  O pai se vangloria de ter sido um “conquistador de garotas” no passado e continua com algo tipo “uma pena em sua classe só ter meninos, você pegaria todas as meninas”. No melhor da atitude resignada, o filho sorri e emudece, mesmo que a narrativa tenha explicitado que anteriormente ele falava com um garoto em tom apaixonado, do qual ele sente saudades. O indie-folk então sobe justamente no refrão “I’m in a road of my own” e vemos o slogan incrivelmente nobre da empresa : Venha como você é. Isso é piada né? O que tem de nobre nesse discurso? Não quero render muito na minha análise, para justamente não virar picuinha, mas deixo uma pergunta: Eles fariam o que, barrariam o garoto de comer no McDonalds porque ele é gay? “Venha como você é” não é só um slogan pretensioso como desnecessário.

Na tentativa de “cativar” o público gay a empresa dá um tiro no próprio pé, e exemplifica com maestria (isso não podemos negar) como não se deve fazer uma propaganda inclusiva. Tem muito mais coisa no vídeo que renderiam análises exageradas e outras bastante óbvias, deixo a critério de vocês concordarem ou não. Definindo a propaganda em uma palavra: deprimente.


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6 Respostas to “Mc homo-feliz”

  1. marcela Says:

    POINTLESS, é a palavra que descreve

  2. maaaa_ Says:

    parece piada…

  3. Mariana Says:

    Oi!
    Achei esse link no twitter e resolvi dizer que achei o comercial bem interessante, assim como o seu texto que segue e tal,
    mas eu não diria deprimente..eu diria que é uma propaganda válida, que convida os consumidores a se sentirem a vontade de serem o que são (o que não acontece com o menino e o pai).
    é uma pena que seja, querendo ou não, uma tática de marketing para atrair mais clientes, mas dá pra dizer que é uma propaganda válida pra esse período de conquista de direitos e de liberdade!!
    beijos

  4. mari Says:

    Concordo!

    Um tiro pela culatra. O vídeo é no mínimo de mau gosto. É uma estratégia muito cínica tentar se aproximar do público gay e ao mesmo tempo mostrar uma postura tão conformada e conformista.

    Receber todos os públicos não é nada demais. “Venha como você é” é uma fala que não demonstra nada além da obrigação da empresa e querer maquiá-la como mensagem inclusiva é uma bobagem. Queria ver o menino contando pro pai, e o McDonald’s dando aval, bancando um apoio, aí sim seria outra história…

    Isso sem falar no papinho machista… Enfim, achei triste.

  5. Monster Says:

    Também achei desnecessária essa propaganda, queriam atingir o público gay e no fim cometeram alguns erros mesmo, porém, com ou sem propaganda, quem gosta de mc vai lá, e quem não gosta não vai, por isso é desnecessário mesmo

  6. Blaffert Says:

    Bárbara, tenho que confessar que sua coerência me impressiona. Enquanto o vídeo é comemorado por uma parte meio insensata da comunidade gay e condenado pelo retardo conservador, vc consegue enxergar perfeitamente o mau gosto e a proposta comercial errada do vídeo. Eu penso e sempre digo que gays, heteros, seja lá qual for a preferência não há nada de especial, nem prá menos, nem prá mais. O respeito mútuo é um conceito tão simples, porém as pessoas complicam tanto. Parabéns pelo texto e sobretudo pela postura.

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