Islândia: o país mais feminista do mundo!

Reykjavík capital da Islândia - viu, não é só gelo não

Hoje pela manhã uma amiga me mandou um link com uma matéria do “The Guardian” com o título do post, e o subtítulo também era de peso: ” A Islândia acabou de banir todos os clubes de strip do país. Talvez até seja por causa da primeira ministra que é lésbica, mas também pode ser porque a Islândia é  o país mais ‘female-friendly’ do planeta.”

Johanna Sigurðardóttir levou o crédito de ser a primeira mulher a liderar o governo islandês, mas na verdade essa honra foi de Vigdis Finnbogadottir, que foi presidente de 1980 a 1996. O país vem se tornando, rapidamente, um líder mundial no feminismo. Um país com uma pequena população de 320 mil habitantes e  provavelmente com as mulheres mais bem tratadas, pelo menos, da Europa. A primeira ministra está prestes a conseguir o que muitos consideravam impossivel: encerrar a indústria do sexo no país. Foi aprovada uma lei que vai resultar no fechamento de todas as boates de strip.

Johanna seu cabelo é tudo! Super "diabovesteprada" style

E o mais impressionante: o país nórdico é o primeiro no mundo à proibir os stripes e as lapdances por razões feministas, e não religiosas. Kolbrún Halldórsdóttir, a ministra que propôs a proibição com firmeza, disse à imprensa nacional nesta última quarta-feira: “Não é aceitável que as mulheres ou as pessoas em geral sejam produtos para serem vendidos.” Ao ser perguntada sobre a Islândia se tornar o maior país feminista no mundo, ela respondeu: “É, certamente. Principalmente como resultado dos grupos feministas que colocam pressão sobre os parlamentares. Essas mulheres trabalham 24 horas por dia, sete dias por semana, com suas campanhas e, eventualmente, filtram os resultados para toda a sociedade.” A notícia é um verdadeiro impulso para as feministas de todo o mundo, mostrando-nos que quando um país inteiro se une por trás de uma idéia qualquer coisa pode acontecer.

Kolbrún, ministra e feminista. E no Brasil temos a Dilma, fail!

E como a Islândia conseguiu? Para começar, o país tem um movimento forte feminino e um elevado número de mulheres na política. Quase metade dos parlamentares são mulheres, e foi classificado em quarto lugar entre 130 países no índice internacional Gender Gap (atrás da Noruega, Finlândia e Suécia). Todos estes quatro países escandinavos, em certa medida, criminalizaram a indústria do sexo (legislação que o Reino Unido irá adotar no dia 1 de Abril). “Uma vez que você quebra esse teto de vidro do passado,  e tem mais de um terço de mulheres na política”, diz Halldórsdóttir, “muda alguma coisa. Essa energia feminista parece permear tudo.”
Johanna Sigurðardóttir é a primeira mulher, na Islândia e no mundo, a chefiar um estado e ser assumidamente lésbica. A Primeira-Ministra participa de campanhas contra a violência sexual,  estupro e a violência doméstica: Johanna é uma grande feminista que desafia os homens de seu partido, e recusa sentir-se oprimida por eles.
E eu que só conhecia Sigur Rós e Björk, agora fiquei fã dessas mulheres!  Quero conhecer a Islândia. Se cabe dizer, fiquei com uma pequena inveja branda. Sem mais.


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19 Respostas to “Islândia: o país mais feminista do mundo!”

  1. laila Says:

    casamento gay na islândia existe desde 96, não?

  2. Says:

    Adorei o texto, exceto pela “inveja branca” no final.
    Me parece uma expressão racista.

    Qro ir pra Islândia, mesmo.
    Eu só sabia da Bjork, e do gelo interminável.

    • Camila Says:

      oi querida! não fique preocupada pois não teve nada de racista, pois o que a jornalista disse foi inveja branda e não branca.
      ; )

  3. Bárbara Deister Says:

    Não hahaha, nada racista, inveja branca é tipo, uma inveja que não é negativa… é uma expressão bastante comum. mas vou mudar, inveja branda fica mais apresentável. rs

  4. Mariani Lima Says:

    Fico feliz com esse belo exemplo, porém isso não foi muito divulgado (ou estou enganada?), o que é uma pena.

  5. mari Says:

    Acho bem legal que a Islândia tenha uma grande participação de mulheres na política, mas não acho que o fato de fechar boates de strip seja um acontecimento feminista e muito menos que faça o país merecedor do título de “mais feminista do mundo”.

    A exploração trabalhista e o tráfico de mulheres são realmente problemas graves que devem ser combatidos, mas não dá pra partir do pressuposto que bares de strip são ruins. Cadê o direito de escolha, de expressão de sexualidade tanto de quem quer trabalhar como de quem quer assistir?

    Tb é interessante o fato da notícia não ter falado (se não me engano), em nenhum momento, dos homens que fazem strip. Se mulheres e homens têm esse trabalho, por que a aprovação da lei seria um acontecimento feminista? Existe uma incoerência na lógica da jornalista.

    (E oi! Esse é meu primeiro comentário aqui 😉 espero que não me ache mto cri cri)

    • Camila Says:

      Oi Mari,
      interessante seus questionamentos.
      Eu tenho alguma suspeita: se não se menciona stripper masculinos na islândia, deve ser porque lá deve ter pouco ou não ter, voce não acha? Porque se procuramos dados sobre quem são essas mulheres que trabalham na industria do sexo nos paises europeus, um número expressivo (e bota expressivo nisso) são estrangeira de países do leste europeu, de países asiáticos, africanos e latino-americanos. Mas só as mulheres migram no mundo, voce vai perguntar. Não, os homens também migram, mas para esses existem outros tipos de trabalho, que pode ser até na boate de strip, mas talvez como garçom, leão de chacará, sei lá.
      E daí eu te pergunto alguem que é forçada/o a sair de seu país para ter alguma coisa na vida, o faz porque simplesmente deseja? Até quando nós vamos nos deixar levar por esse argumento furado (desculpe mari, nao quero te ofender) de que as mulheres fazem isso porque gostam?
      Acho que a questao que fica e que nao sabemos como a islandia vai resolver é que outros trabalhos (dignos) essas mulheres vão fazer. E, ah, não vale deixar de ficar pelada, pra começar usar uniforme de dosmestica.
      inté

  6. Paulo Says:

    pq isso me parece errado? acho que uma evolução são os clubes de strip masculino tb. proibição sempre e sempre é uma furada. proibição tem a ver com ditadura. e lá vão as taxas de suicídio desse pais aumentar mais um pouco.

  7. Gabriela Says:

    ótimo post

    muito importante a compreensão e da ligação do abuso, da opressão, da exploração sexista com a prostituição…
    afinal, a prostituição não é uma escolha, se baseia em relação de poder, por sua vez, base do patriarcado.

    mas só estou comentando mesmo para esclarecer o comentario da Zá… historicamente o que é branco é visto como puro, bom, e o negro ruim, a construção do negro como ruim acompanha a construção de uma sociedade racista. O branco ligado a paz, a divindidade, a pureze não é um mero acaso, são associações sociais com conotações altamente politicas.

  8. Elton Castro Says:

    É bem fácil fechar todos os clubes de strip quando no país todo existem só uns 10. Eu chutei este número, mas o número de lojas no McDonalds (que fecharam todas por causa da crise) era de apenas 3.

  9. Clarissa Says:

    Gente, só pra lembrar a questão da prostituição é uma das mais polêmicas entre os feminismos. E ela os racha ao meio mesmo. Por um lado, a venda do corpo é uma mercantilização do feminino, mas por outro proibir sua venda é uma forma de tirar a autonomia do que a mulher faz com o proprio corpo. Ou seja, a Islândia não é o páis mais feminista pq essa questão divide as feministas. Porém acho que a Islândia foi certeira em acabar com clubes que fazem mulheres trabalhar 24 horas por dia. Isso não é protituição, é exloração sexual e deve ser punida. N Holanda, a legalização dos clubes (e sim, tem uma minoria masculinos tbm) foi uma forma de proteger as mulheres que se prostituem contra a exploração sexual. Polêmico não?
    No Brasil, o governo ainda não se posicioou qto à prostitução, mas vem trabalhando contra a epxloração. Há alguns movimentos de prostitutas que querem a legalização da profissão e há pessoas que querem proibir a prática. A Islândia simplesmente se posicionou e com certeza agradou e desagradou a muitas/os!

  10. Clarissa Says:

    Camila, não ouvir o movimento de prostitutas (e olha que alguns já se dizem feministas) é um erro. Elas tem muito a dizer (e isso que eu ainda nem me posicionei). Só estou dizendo que sua visão é apenas uma visão entre várias e não é consenso nem no feminismo.

  11. Bárbara Deister Says:

    gente lembrando que eu traduzi uma matéria que saiu no the guardian, quem quiser ler a matéria na integra vai ver que tem coisas que eu não escrevi aqui, como pesquisas e tudo que embasou a decisão, pra não ficar mto didático e extenso. Não quis por outro lado só gerar pauta e isso tb não faz da islândia o país mais feminista do mundo com toda certeza. Foi uma maneira de dizer. Adoro qdo um post rende tantos comentários.
    =)

  12. Clarissa Says:

    Tá certo! Isso é que legal! Parabéns pelo post, de qualquer forma!
    =)

  13. André Luis Lenz Says:

    O feminismo misândrico islandês

    As feministas misândricas (que tem ódio real pelo masculino) que afloram na Islândia e machistas misóginos (que tem ódio real pelo feminino) de alguns recônditos muçulmanos, se comparados, apresentam muitas semelhanças, apresentam uma grande facilidade de interação e em pouco tempo de contato estes dois grupos passam a desenvolver uma grande sinergia.

    Comparem suas idéias e verão que as feministas misândricas apesar de verem os homens verdadeiros e maturos como inimigos, por os considerarem machistas, se dão muito bem com os misóginos e freqüentemente adotam medidas semelhante, regadas a falso moralismo e falsas verdades, que têm como único objetivo o de causar o maior afastamento possível entre o homem e a mulher verdadeiros.

    Apesar de adotarem técnicas diferentes (as misândricas distorcem o feminismo e os misóginos distorcem a religião), a simbiose entre a misandria e a misogínia ocorre com muita facilidade por que, no mais profundo e obscuro centro dos seus objetivos, ambos nutrem o bizarro desejo de causar a destruição da espécie humana.

    As misândricas não atacam os misóginos pois sabem que eles são inócuos, nada fazem de mal aos seus propósitos. Por sua vez, os misóginos também não atacam a misândricas, pois, não vêem nestas, perigo de forma alguma.

    Ambos, de fato, odeiam não apenas a humanidade, mas também e acima de tudo odeiam a Deus, Sua soberania, Sua sabedoria e Seus requisitos.

    Esse é o grande trauma que move os misóginos e as misândricas, ambos temem, acima de tudo, os verdadeiros desígnios do homem e da mulher determinados por Deus, e são criaturas que possuem extrema dificuldade em sintetizar qualquer forma de amor verdadeiro. Astutamente, feministas misândricas islandesas fingem querer ajudar a mulher a crescer mas o que realmente querem é estabelecer uma “homocracia” no mundo.

    A Islândia atual esta para o feminismo, assim como o Afeganistão está para o machismo. Ambos distorcidos e por isso tendem ao fracasso histórico, de uma forma ou de outra, inevitável.

    Paz e serenidade aos homens e mulheres de boa vontade.

  14. Bia Says:

    André Luis Lenz, volte para sua pokebola…

  15. Lu Pinheiro Says:

    Eu acho moralismo o fim de cubs de striper masculinos ou feminismo, o problema de se comercializar o próprio corpo é quando outro que não a própria pessoa seja explorada financeiramente ou corra risco de agressão e de morte. Achei contraditório porque o próprio movimento feminista lutou e luta com o direitos da mulher ser dona do seu próprio corpo, ter autonomia sobre ele. Depois de tanta luta para a libertação de preconceitos, principalmente no que tange a sexualidade um país como Noruega, Finlândia e Suécia discriminar as casas de diversão ´com erotismo. Sinto exatamente que o mundo está avançando em alguns direitos fundamentais , mas retrocendo em outros, proibição de shows de strip é muito consevadorismo, até porque esses Shows são extremamente conservadores e ultrapassados também, mas enfim estamos numa democracia e cada um tem a liberdade de dar sua opinião.

  16. Lu Pinheiro Says:

    errata: clubes

  17. liana Says:

    Apagem esse comentario do Andre Luiz, por favor. Não existe misandria em lugar nenhum do mundo, só no pais dos masculistas e seu mundo de privilegios intocados. E depois, é um saco isso, a gte vem num blog feminista ler algo legal, encontra uma discussao pertinente nos resultados e tem q encontrar um machista tb aqui dentro, dentro da nossa sala de discussão feminista. Na boa, eles tem so o RESTO do mundo todo pra serem ouvidos!

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